sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Golden Boy
Quando o Mika ficou pop em 2006, não faltaram elogios para o serviço do libanês. Zeca Camargo chegou a eleger a faixa "Take it Easy" como uma das melhores do ano (aliás, eu só fui conhecer o Mika depois de ouvir os elogios do Zeca Camargo) e de fato, ele não exagerou. Life in Cartoon Motion foi dos meus favoritos do ano e "Grace Kelly" é uma das músicas mais legais dos últimos tempos. Tudo isso deixou o cantor com a dificil missão de fazer melhor ou pelo menos repetir o sucesso do primeiro disco com o recem lançado The Boy Who Knew Too Much.
A má impressão do ep Songs for Sorrow é deixada para trás logo no começo. A feliz "We Are Golden" (primeiro single) já demonstra que o aspecto festivo do primeiro disco continua presente e outras faixas reforçam a celebração ao longo do disco. Mas a principio, o que chama mais atenção é a sensibilidade da faixa "I See You". Mika mostrou superação e provou que é bem mais que mera trilha sonora para uma festa gay. Apesar de que este ainda é um dos talentos do cantor. Só ouvir a gostosa "Blue Eyes" ou prestar atenção em "Blame it on the Girls" (o refrão mais grudento do disco) e "Rain".
Mas será que Mika conseguiu mesmo se superar? Não tenho dúvidas que este disco é bem legal e provavelmente vai figurar nos mais ouvidos do meu last.fm, mas não existe mais a sensação de novidade. The Boy Who Knew Too Much não chega a ser uma continuação de Life in Cartoon Motion, só que escapa por muito pouco. As influências de George Michael, Elton John e Queen ainda permanacem, mas estão mais discretas. A faixa "Dr. John" de imediato já evoca o Oasis e sua "Importance of being idle". Já "Good Gone Girl" poderia ser considerada uma prima de "Stuck in the Middle" que é uma das várias músicas boas do debut. Destaque também para a divertida "Lover Boy".
Em resumo, The Boy Who Knew Too Much não apresenta um Mika inovador. Apresenta um cantor/compositor mais maduro e conseguiu se revisitar sem beirar o ridiculo ou o repetitivo. Tudo isso só faz crescer a ansiedade para conferir a tão adiada apresentação do musico no Brasil. Será que agora vai?
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Só e muito bem acompanhado...(6)
Tudo bem que os cantores da nova MPB, geralmente se apresentam sozinhos mesmo, mas já tinha muuuuuuuito tempo que estava atrás dessa versão de "PACIÊNCIA". Sou mega suspeito para falar de Lenine... perfeito!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Apenas Juliette
Depois de cinco anos e três albuns de estúdio lançados, Juliette Lewis abandonou o The Licks para a gravação do novo disco, Terra Incognita. Dessa vez a atriz/cantora vem acompanhada de uma banda chamada New Romantiques e com a produção de Omar Rodriguez (Mars Volta), ela flerta com a mistura do rock com o experimentalismo. O resultado é bem diferente daquela crueza pop-punk do excelente Four on the Floor, mas nem por isso deixa de ser ruim.
Parte desse lado experimental do novo trabalho é culpa da produção mágica de Omar Rodriguez. Além de distorções mais fortes e da mescla de efeitos característica da guitarra do Mars Volta, as canções não tem o mesmo apelo comercial do disco anterior. Pode-se dizer que é um trabalho mais introspectivo de Juliette e músicas como "Ghosts" e "Female Persecution" (onde a influência do Mars Volta é descarada), mas sem a essência maluca que destacava os trabalhos anteriores.
Terra Incognita é um bom recomeço na carreira de Juliette Lewis. Não sei como irá soar ao vivo, mas essas músicas não conseguem ter a energia dos trabalhos anteriores. A exceção ficaria em "Fantasy Bar" e na faixa que batiza o disco, que é uma das melhores entre as 12 faixas do cd. Juliette também flerta com o blues etílico de buteco em "Hard Lovin Woman". Dificil imaginar que quem fez sucesso pulando e gritando no palco do Tim Festival 2007 e do VMB do mesmo ano, consiga mostrar uma composição tão distinta. Mas a verdade é que Juliette sempre teve suas cartas na manga. E o novo disco mostra que ela tem vida longa na música...
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Música tantrica pelo controle da mente
O Tantric é uma banda com referências de Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains e Nirvana. O vocalista nasceu em Angola e morou boa parte de sua vida em Portugal até se mudar para os EUA. Na descrição de Hugo Ferreira (vocalista), o Tantric é uma banda de hard rock com menos gritos e menos "reta". E pode-se dizer que o Tantric é uma boa pedida para os fãs do estilo, principalmente com o lançamento do disco Mind Control.
O album vem com 12 faixas recheadas de peso, riffs e com destaque para os arranjos vocais como na música "Kick Back". O talento do baixista pode ser conferido na instrumental "Intermezzo", com direito a uma excelente técnica de tapping. Pena que só dura pouco mais de 1'minuto. Já a música "Run Out" escancara as influências de Hugo Ferreira: Alice in Chains puro. Também evocou o som do Nickelback, mas um tanto mais pesado e agressivo. Mas o Tantric não se resume ao peso e a faixa "What Are You Waiting For?" é o mais próximo de uma balada que se pode encontrar nesse quarto registro de estúdio do grupo.
Excelente opção para fugir um pouco das bandas já conhecidas e conhecer novas sonoridades. Ok. Talvez não tão novas assim, mas a verdade é que o Tantric é uma boa dica.